Percy Jackson e seus limites no Mar de Monstros | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU
Hoje (21/01/2026) a 2ª temporada de Percy Jackson e os Olimpianos chegou ao seu episódio final. O encerramento é um marco para a produção audiovisual da saga, ainda mais com a terceira temporada já anunciada para estrear também esse ano, que trará uma inédita adaptação de A Maldição do Titã.
A saga conquistou uma geração de leitores ao unir mitologia grega e aventura juvenil em uma narrativa cativante escrita brilhantemente por Rick Riordan. Desde então, cada adaptação para outras mídias carrega consigo grandes expectativas, mas também receios.
Nesse contexto, toda adaptação de O Mar de Monstros, lançado em 2006, carrega uma maldição: trata-se do livro mais curto da saga Percy Jackson e, para muitos leitores, também o menos marcante. Ainda assim, isso não isenta a produção do horrível Percy Jackson e o Mar de Monstros, filme lançado em 2013, que se tornou uma ferida aberta no fandom.
Para os fãs da saga, a segunda temporada da série surgiu com a promessa de fechar cicatrizes que ainda não sararam completamente após aquela adaptação desastrosa do filme. No entanto, ela acaba herdando um problema já bastante presente na primeira temporada da série: o constante “morde e assopra” narrativo. A construção de tensão raramente é recompensada durante os episódios, resultando em anticlímax frequentes e resoluções que entregam menos do que o clímax sustentado até então.
| Walker Scobell e Leah Sava Jeffries como Percy Jackson e Anabeth Chase |
Ainda que mantenha esses problemas estruturais, a segunda temporada apresenta avanços claros em relação à primeira. As atuações continuam sendo um ponto forte, com destaque para a perspectiva adotada para Clarisse (Dior Goodjohn), que enriquece a personagem e amplia sua relevância na trama. A adaptação, diferentemente do que muitos temiam, não suprimiu momentos essenciais do livro e ainda adicionou mudanças bem-vindas. Entre elas, o fato de Percy sempre saber que Tyson (Daniel Diemer, nova e bela adição ao elenco) é um ciclope e que ele foi adotado por Sally Jackson (toda e qualquer alteração que engrandeça a personagem interpretada por Virginia Kull será de grande agrado), além da alteração na cena das sereias, que ganhou uma abordagem mais interessante e coerente com a linguagem da série.
| Dior Goodjohn como Clarisse La Rue, a filha de Ares e novo destaque na temporada que recebe uma repaginada perspectiva na adaptação. |
Apesar desses méritos, alguns defeitos estruturais persistem e se tornam ainda mais evidentes nesta temporada. Os livros lançados há cerca de 20 anos, possuem um fandom envelhecido em relação ao público-alvo pensado para a série. O hiato entre as temporadas, somado ao orçamento idêntico ao da primeira, é extremamente preocupante para uma história que exige maior escala visual.
A curta duração dos episódios, provavelmente também impactada pelas restrições de produção, prejudica o desenvolvimento da história, assim como a dificuldade contínua da série em demonstrar poder, ameaças reais e hierarquias dentro do universo mitológico. Há somente uma entrega parcial diante do potencial prometido. A decepcionante batalha contra Ares na temporada anterior, ainda que existente, já havia sinalizado esse problema, e o confronto com Polífemo acabou optando por uma solução claramente preguiçosa.
| Polífemo é uma das diversas referências de O Mar de Monstros à Odisseia de Homero, que serviu de inspiração não apenas ao livro, mas à toda a saga como um todo. |
Vale destacar que a reviravolta principal do livro, a revelação de que o Velocino de Ouro traz Thalia (Tamara Smart), a filha de Zeus, de volta à vida, foi conduzida pela série de forma um tanto óbvia e trouxe um certo desconforto, já que se esperava um maior peso dramático, marcado por incerteza e surpresa.
No fim, a segunda temporada de Percy Jackson e os Olimpianos acerta em preservar o coração da obra e demonstrar maior compreensão de seus personagens e temas centrais. Apesar dos avanços perceptíveis, ainda tropeça ao não explorar todo o potencial dramático e épico de O Mar de Monstros. O resultado é uma adaptação correta, porém segura demais, que parece ter medo de abraçar o caos, a intensidade e a grandiosidade que fizeram a saga conquistar tantos leitores.
VEREDITO: ★★★
Com a adaptação de A Maldição do Titã confirmada para a 3ª temporada, há motivos reais para otimismo, embora a série claramente precise de mais atenção da Disney e da 20th Century Studios quanto ao orçamento necessário para contar as histórias grandiosas que vêm pela frente, vide que o próximo material a ser adaptado se trata de um dos livros mais queridos pelos fãs, marcado por desafios maiores, conflitos mais densos e personagens novos que se tornaram tão queridos pelo público. Após o salto considerável de qualidade entre a 1ª e 2ª temporada, se a série mantiver esse padrão, a próxima tem tudo para se tornar, com folga, a melhor adaptação da saga até agora.
Texto por Davi Almeida
Revisado por Tiago Samps & Fernanda "Ferbs" Pinheiro


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