Cara de Um, Focinho de Outro, Igual por Dentro | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU
Em 2024, Pete Docter (chefe da Pixar) disse que os filmes deixariam de ser catarses para os diretores e passariam a desenvolver conceitos — já provados — que apelassem ao público em massa e às experiências comuns de todos os seres humanos. Elio foi a primeira tentativa desse novo modelo, sendo remodelado para caber nessa proposta, deixando de ser um "filme-catarse" do diretor, e Cara de Um, Focinho de Outro é o novo longa neste molde... e dá pra ver as beiradas dele.
Escrito e dirigido por Daniel Chong (criador de Ursos Sem Curso), veterano da Pixar, o filme segue Mabel, visitante frequente do parque de sua cidade, que está ameaçado pelo prefeito, Jerry. Ao se deparar com a tecnologia necessária para se infiltrar no mundo animal e impedir Jerry, Mabel põe seu cérebro em um castor robô e segue sua missão.
Se a premissa te lembra algumas coisas, quer dizer que você viu mais de um filme na sua vida. O forte do filme não é a inovação, pois não há nenhuma, mas sim a utilização da sua premissa para a comédia, principalmente a visual. No meio do caminho, a história toma um rumo inesperado e as insanidades aumentam e, com elas, os problemas.
Há um motivo emocional para Mabel ser do jeito que é e, no meio da comédia, o filme tenta trazer esses pontos emotivos na narrativa, que vão embora tão rápido quanto chegam. O filme claramente está mais interessado na comédia, e isso afeta a mensagem ambientalista que ele também parece querer passar, chegando à hipocrisia só para ganhar umas risadas (bem-sucedidas).
Sem esses elementos, o filme poderia focar em uma coisa só, mas, em vez disso, temos uma comédia forte, um arco emocional razoável e uma mensagem ambiental fraca. Isso não quer dizer que as surpresas não funcionam (estou sendo vago de propósito), só que elas não suportam um escrutínio muito longo. São feitas para rir e tudo bem ser só isso.
Tecnicamente, é o de se esperar. Os ambientes fotorrealistas estão tão realistas como sempre e a iluminação em momentos-chave é quase como uma fotografia antiga, engana os olhos. O design continua no padrão estabelecido nos últimos filmes do estúdio. A trilha de Mark Mothersbaugh começa como um filme de espião e, no decorrer do filme, se torna o orquestral padrão. Os créditos finais é quando ele pode se soltar nos eletrônicos. E não dá pra pontuar mais o quanto algumas sequências de ação são criativas.
Vale a pena ver no cinema? Bom, é sempre bom rir junto de uma audiência, e não é uma má experiência. Pode parecer diversas coisas, mas, no fim, é farinha do mesmo saco que Elio — um bom filme, com uma mensagem legal, bonito de se ver, mas que fica ali no raso mesmo, não há nada de mais profundo acontecendo. É feito para apelar a todos os públicos. Valeu, Pete Docter!
PS: O clímax do filme é à noite. Se seu cinema tem dificuldades com cenas noturnas, talvez seja difícil enxergar.
VEREDITO: ★★★½
Muito provavelmente, o problema sou eu. Chegou na parte da reviravolta e, pra mim, fazia total sentido haver uma carnificina. No fim, o filme acaba como se, em Avatar, o Jake não quisesse matar o Quaritch, e, pra mim, isso não faz sentido. Covardes! Mas ri bastante, então, o filme fez seu trabalho.







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