DEMOLIDOR: RENASCIDO E RESTAURADO | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU
No ano passado, revisamos a primeira temporada de Demolidor: Renascido, que, apesar de ser uma nova série da Marvel, era, ao mesmo tempo, a continuação da série do Demônio de Hell's Kitchen, que foi distribuída pela Netflix antes do Mickey ter sua própria casa. Ciente de que a série foi uma colcha de retalhos ao ser pensada como um reboot antes de ser completamente retrabalhada como, de fato, uma continuação, avaliamos a temporada como boa, porque a trama realmente funcionava não apenas como sequência, mas como algo novo.
Nesse segundo ano, a série não é mais um remendo de roteiro e direção e tem uma visão muito clara: resgatar tudo da série anterior e ser, de fato, um revival. Já adianto: quem não tem familiaridade com a saga dos Defensores da Netflix com certeza ficará perdido com o desenrolar do novo drama de Matt Murdock, pois todos as relações antigas do Homem sem Medo retornam sem cerimônia alguma.
Para os fãs da série antiga, é como rever velhos amigos. Tem gosto de comida caseira e sensação de abraço de vó, mas dificilmente funciona para quem decidiu começar justamente pelo "Renascimento".
Nessa temporada, o Demolidor é um fugitivo da nova prefeitura de Wilson Fisk, que está ativamente perseguindo os "vigilantes" de Nova York. Claro que qualquer cidadão que se oponha ao governo objetivamente fascista do Rei do Crime é categorizado como tal e é oprimido, seja por violência policial ou prisão em centros de confinamento forçado. Ironicamente, é só uma das duas séries desse primeiro semestres de 2026 a conversar perfeitamente com o governo estadunidense vigente, e coincidentemente, foram produzidas previamente. Embora essa série não tenha nenhum comentário político de fato pertinente, é mais uma prova de que a ficção sempre é um espelho da nossa realidade (e que a história se repete).
O conflito principal ainda centra nas figuras de Matt Mudock e Wilson Fisk, e como sempre, Charlie Cox e Vincent D'Onofrio transbordam seu amor por estes personagens em suas performances que, de novo, funcionam por ser a culminação de uma história de uma década. O destaque é, efetivamente, de Vincent como o Rei do Crime e de Deborah Ann Woll como Karen Page, que precisam levar seus personagens a novos extremos.
Karen, que, inclusive, não teve muito espaço na primeira temporada, mas brilha muito aqui, vivendo seu próprio conflito antagônico aos ideais do Demolidor e se tornando uma personagem muito mais ativa e extrema do que não apenas aquela de seu passado, mas também de sua contraparte dos quadrinhos, da qual felizmente se distancia bastante para se tornar uma personagem bem mais interessante.
| Demolidor e Karen Page no episódio 3: A Balança e a Espada. |
A mistura dos personagens antigos com os "novos" ajuda muito a naturalizar e potencializar a existência deles, estejam eles interagindo diretamente um com o outro ou não, porque o roteiro os amarra direito.
| Daniel e Buck no episódio 7: A Terrível Escuridão. |
| Fisk e Wesley no episódio 5: O Grande Desígnio. |
VEREDITO: ★★★★½
Com um final que talvez seja o melhor episódio de Demolidor desde 2015, a segunda temporada DD: Renascido se consagra como a melhor correção de rota de toda produção de super-heróis, transformando uma peça de retalhos de volta no melhor material adaptado de quadrinhos no ar.
Texto de Tiago Samps
Revisado por Fernanda "Ferbs" Pinheiro


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