Maul - Lorde das Sombras | A Vingança nunca é plena | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU

 

Quando se trata de vilões em Star Wars é possível dizer que nenhum fez tanto impacto com tão pouco quanto Darth Maul em 1999. Mesmo que ressucitá-lo tenha sido uma decisão controversa em 2011, é difícil pensar na franquia agora, principalmente as animações, sem Maul (anteriormente Darth).

Ainda assim, uma série sobre um sujeito que não cresce, não aprende e que morre fazendo a mesma coisa que em sua primeira aparição é certamente uma decisão. Porém, a graça da série, e do personagem, não é assistir a Maul moendo droids e Stormtroopers, mas ver as coisas saindo de seu controle e como ele afeta a vida de qualquer um com quem ele entre em contato. Por conta disso, sabiamente, a série não é só sobre o chifrudo e seus esquemas.

Situada logo depois de Bad Batch (a força do Império já são Stormtroopers), no planeta da orla média Janix, Maul busca retaliação contra as organizações criminosas que o abandonaram após Mandalore. Suas ações chamam a atenção de Brendan Lawson, Capitão na força de defesa do planeta, cujos problemas aumentam com a presença de dois Jedi refugiados: Mestre Daki e sua padawan Devon, em quem Maul tem interesse em particular.

Seria muito fácil fazer uma série fan-service sobre Maul sendo maneiro, difícil é criar novos personagens interessantes o suficiente para não causar desânimo sempre que são eles em tela e não o personagem titular (olhando pra você, outra série com um chifrudo). Mas os veteranos Matt Michnovetz e Brad Rau sabem lidar com múltiplos personagens, e mesmo que demore uns 3 episódios para o enredo pegar seu ritmo, cada um dos personagens é interessante logo de primeira.

Como em Andor, a tensão advém da incerteza do destino dos novos personagens, que aqui são jogados em uma batalha após a outra, com alguns episódios que são 20 minutos de ação sem fim (algo que poderia ser cansativo se a ação não fosse espetacular), acentuada pela evolução do estilo de animação de Clone Wars.

A imagem de abertura da série em Janix já mostra a evolução do estilo: com a fumaça e a iluminação parecendo pintadas, vazando além de seus limites esperados. Os ambientes quase sem bordas atrás dos personagens, as lutas de sabre de luz que parecem pincéis passando na tela, um complemento a um estilo já definido que adiciona muito para a atmosfera da história sendo contada.

Ajuda também terem dado uma orquestra para a trilha sonora. Kevin, Sean e Deana Kiner (com Nolan Markey) não perdem tempo para utilizar Duel of the Fates, mas esperam para usar o tema de Maul introduzido em Rebels. A série se utiliza do silêncio nas sequências mais calmas, e em diversos momentos o tom da trilha é opressivo. São os novos temas para Devon e Lawson que quebram essa opressão.

Na dublagem, Maurício Berger retorna como Maul. O dublador é a voz original de Maul, desde 1999, mas talvez a voz mais associada ao personagem seja a de Alexandre Moreno, que o dublou em Clone Wars. Berger faz um excelente trabalho, mas em alguns momentos, principalmente quando Maul perde a paciência, a potência da voz de Moreno faz falta. Em inglês, Wagner Moura é o dublador de Lawson, e, ter que dublar um ator brasileiro é uma tarefa um tanto ingrata, mas Raul Rosa faz um ótimo trabalho, assim como Anna Giulia Chantre e Guilherme Lopes. Ricardo Vasconcelos parece ser a nova voz do Imperador, mesmo que não dê pra ouvi-lo direito.

Sendo uma série extremamente serializada, não dá pra reclamar de que o lançamento foi feito em duplas (nem mais e nem menos), principalmente porque os primeiros 2 episódios tiveram finais bem repentinos, e alguns episódios terminam com um cliffhanger muito maldoso. Porém, é um padrão curioso em que, não importa o quão boa a série animada, a distribuição acaba sendo minada pela Disney... Dave Filoni está agora na direção da Lucasfilm e o lado bom é que isso não atrapalhará novas séries animadas no futuro, que continuam sendo o melhor formato para Star Wars.

VEREDITO: ★★★★

Ter Disney+ com propagandas é muito ruim: faz os episódios que são curtos parecerem ainda mais curtos. O pior é que não são séries feitas para tê-las, e Clone Wars que foi pensada com intervalos, não tem os anúncios colocados no tempo certo. Ao invés disso, é um momento arbitrário na minutagem pra todos... Enfim, Maul é bom!


Escrito por Gabriel Bezerra
Revisado por Clara Silvestre

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