O Diabo Veste Prada 2 | Milhões de franquias matariam por uma sequência como essa | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU

 

O Diabo Veste Prada é aquele típico filme que você assiste pela primeira vez despretensiosamente na Sessão da Tarde e termina gostando (de um jeito declarado ou na encolha, dependendo do seu nível de 'macheza', por se tratar de uma narrativa voltada para o universo feminino) por diversas razões. Para simplificar o seu todo: é um filme muito bom, talvez um pouco perdido em qual lição queria dar à protagonista, Andy Sachs, mas que não impede ela de terminar a narrativa exatamente onde ela deveria estar.

Uma sequência poderia ocorrer de 2 maneiras: uma reprise por fan-service ou algo de fato relevante para as personagens tão bem definidas, que qualquer regressão seria uma falta de respeito. E depois de assustadoramente ameaçar ser a primeira opção logo em sua cena inicial, O Diabo Veste Prada 2 conta a história que talvez não fosse exatamente o que a audiência esperava ou queria, mas uma história necessária.

A trupe toda está de volta, ao menos, todos que precisavam estar. Após ambas sofrerem com a crise midiática, Andy Sachs (Anne Hathaway) volta a trabalhar sob o domínio de Miranda Priestley (Meryl Streep) como jornalista na Runway, que após uma grande mudança na gerência da Elias-Clarke corre risco de acabar. Para salvar seu emprego - e consequentemente o da Miranda - Andy procura formas de ajudar a Runway.

Se o primeiro filme era um olhar sobre o mundo da moda, a sequência é sobre o mundo jornalístico e as mudanças no mercado de jornais e revistas: cortes de gasto, demissões, diminuição de setores, coisas que se você lê o Repórter Semanal no Insta do Nerdish já sabe que não se detém a esse mundo específico. Não se engane, ainda há muita conversa sobre moda, mas o foco é em como o mundo mudou as personagens.

Nenhuma delas mudou tanto quando Miranda, um ponto recorrente na trama que a própria Andy reitera muitas vezes. O filme a arrasta para poucas e boas, além de comentar de forma cômica como as atitudes dela no primeiro filme não seriam aceitas hoje em dia, mas, felizmente, em nenhum momento parece julgar a nova geração e seu valores. Mesmo assim, o maior desconexo entre os filmes é essa personagem, que acaba parecendo outra pessoa, ainda que de uma maneira justificada.

E é proposital, pois quem também retorna são as cabeças por trás das câmeras: David Frankel na direção,  Aline Brosh McKenna e Lauren Weisberger no roteiro. Evoluindo os personagens naturalmente e corrigindo alguns dos erros cometidos no passado (o grupo de amigos e os interesses amorosos de Andy, por exemplo), os dois filmes são tão coesos um com o outro que nem parece que se passaram 20 anos.

Exceto pelas músicas, que as vezes até tiram a energia da cena. Apenas uma é reutilizada nesse filme, e é noite e dia. O mesmo não pode ser dito da trilha de Theodore Shapiro, que voltou no mesmo pique. Sua trilha do primeiro filme fez algo muito difícil ao criar temas memoráveis no meio de músicas memoráveis e, ao invés de tocá-los de primeira, ele desenvolve um novo e incorpora os antigos gradualmente enquanto Andy adentra novamente o mundo da Runway.

Na dublagem, retornam todos que também fizeram parte do original: Letícia Quinto na Andy, Tânia Gaidarji na Emily, Armando Tiraboschi no Nigel, Carlos Silveira no Irv e, claro, Arlete Montenegro na Miranda, cuja voz mais velha ajuda no desconexo com a personagem, mas ter uma outra dubladora faria o mesmo, então que bom que foi ela. E algumas aparições surpresas são presentes como as vozes de Carol Crespo e Luiz Carlos Persy.

Com um final mais do que satisfatório para todos os personagens, o filme diverte, surpreende e dá aquela aquecida no coração sem precisar se render ao fan-service raso, apenas breves easter eggs para os que sabem/lembram, olharem e darem um leve sorriso. É uma história que permite a audiência se reconectar a velhos amigos.

VEREDITO: ★★★★

Duvido que você precisasse ser convencido à assistir esse filme, a review foi mais para compartilhar minha própria felicidade.

                            

 Escrito por Gabriel Bezerra

Revisado por Clara Silvestre


Comentários

Postagens mais visitadas