The Amazing Digital Circus: O Último Ato - Quando o Self-Insert é mais cruel que o vilão | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU
O circo digital encerrou suas atividades depois de nove episódios coloridos, psicodélicos e extremamente caóticos. Apesar de não ser uma animação infantil, a série mais famosa da Glitch Studios se assemelha a um I Have No Mouth and I Must Scream só para baixinhos. A premissa da série, como um todo, é bastante interessante, usando do vale da estranheza em vários momentos, além de ter uma tensão bem construída e um humor bem encaixado para aliviar em certas partes.
[SPOILERS ABAIXO]
O último episódio da série animada tem uma conclusão brevemente satisfatória, porém, com um enorme problema: a quantidade excessiva de Jax no episódio final. A Abstração do personagem já era esperada, mas optaram por focar em seu passado por tempo demais, em vez de tomarem os momentos finais para explicar todas as questões que ainda faltavam ser solucionadas.
Jax não é mal escrito, apesar de ter momentos extremamente desconfortáveis referentes ao personagem que parecem mais uma violência gratuita para gerar choque, e não momentos que servem para formular críticas e a reflexão do público. E, a forma como esse desenvolvimento ocorre acaba polarizando a comunidade que consumiu a mídia, onde parte o odeia mortalmente e a outra parte acabou se fascinando por essa persona sarcástica e que comete atrocidades, podendo sempre sair impune.
O grande problema com o Jax é que essa impunidade e o tom de comédia que vez ou outra aparecem junto do personagem, de alguma forma, acabam tirando a seriedade dos momentos mais intensos que o envolvem; apesar de esse não ser o caso do flashback do personagem, que, mesmo sendo extremamente extenso, ainda serviu para dar uma certa profundidade quanto à sua origem. Porém, isso não muda o fato de Jax ser um self-insert um tanto estranho, problemático e até mesmo vago em vários pontos.
Séries como Bojack Horseman, com o Bojack, e Steven Universo, com o Lars, conseguiram fazer com que personagens com um passado complicado e ações completamente dignas de críticas tivessem um desenvolvimento muito distinto, sem impunidades e com, de fato, reflexões a serem provocadas, diferente de um personagem que tortura gratuitamente os outros membros do circo e não tem qualquer consequência até a sua abstração, pois, antes disso, foi fortemente utilizada como humor e, mesmo que algumas piadas combinem com a pegada do circo digital, quando se trata de Jax, parece ultrapassar os limites.
No quesito técnico, é bem difícil proferir alguma crítica. A animação tem uma qualidade enorme, seja na ambientação, nos visuais e, especialmente, na dublagem, e é muito gratificante ver um projeto tão interessante vindo de um estúdio independente, e melhor ainda, ver a grande massa que eles atraíram para o cinema, criando um público de idades distintas que desenvolveram afeição por essa história.
Tirando a parte um pouco arrastada sobre um único personagem, Digital Circus conseguiu, mesmo que com uma explicação apressada, nos proporcionar um pouco mais do que motivou a criação do espaço onde esses personagens estão inseridos; e o foco no sumiço de Caine é bem interessante, mesmo que não tenha uma razão muito sólida para o seu retorno. E a revelação final conseguiu ser bem legal, por não ir pela rota óbvia de serem pessoas aprisionadas nesse mundo artificial.
No final, muitas plotlines secundárias, com a amizade da Pomni e da Ragatha ou mais de Zooble e Gangle sendo jogadas de lado e tratadas com uma pressa enorme, o que cria certa dificuldade em compreender certas ações vindas daqueles personagens e conexões criadas ali, porém, no final, mesmo que tenham escolhido desgastar os espectadores com a backstory de Jax, ainda conseguiram expressar uma despedida calorosa e que deixa bem clara a paixão da Glitch e da produção por esse projeto. No fim do dia, vamos sentir saudade do Circo Digital.
VEREDITO: ★★★ ½
Que bom que conseguiram falar do Caine e teve uma cena super fofa da Pomni dando tchau, porque eu ia surtar se tivesse que passar mais cinco minutos olhando para a cara daquele coelho maldito.
Revisado por Fernanda "Ferbs" Pinheiro







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