Avatar Aang: O Último Mestre do Ar não é flamejante, mas é bem quente | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU

É inegável que Avatar: A Lenda de Aang é um fenômeno geracional, ainda 18 anos depois do fim da série. Desde então, a franquia já se espalhou para uma série de outra Avatar, quadrinhos sequências de ambos e livros sobre outros Avatares, mas ainda há uma fome por mais do primeiro Time Avatar, e ainda há gente conhecendo a série. Naturalmente, a escolha de um primeiro filme do Avatar Studios ser uma sequência de A Lenda de Aang faz total sentido, ainda mais pro cinema, na esperança de introduzir ainda mais pessoas a esse querido universo...

Apesar da Paramount ter minado essa última parte, finalmente o tão aguardado (pra quem esperou) filme sequência está entre nós (de forma oficial), em um streaming que pouca gente tem e que nem precisa ter. O Avatar Aang está recolhendo relíquias de seu povo, os Nômades do Ar, a fim de preservar sua cultura, e quando ele descobre uma forma de restaurar a dobra de ar no mundo pelo misterioso Tagah, a Gaangue se une novamente atrás do cajado da Avatar Sonam.

"Esse cara certamente não é mal" - Aang, provavelmente.

O problema de uma entrequência é o mesmo de uma prequência: o futuro já está traçado. Uma boa prequência/entrequência sabe desse fato e pode fazer de seu âmago qualquer outra coisa além do futuro inevitável, ao mesmo tempo que o abraça. Tal esforço pode render muitos frutos (Rogue One e Andor são considerados os melhores projetos recentes de Star Wars), mas  Avatar Aang: O Último Mestre do Ar acaba tropeçando entre ser uma sequência de A Lenda de Aang e, ao mesmo tempo, prequência de Korra.

A parte de trazer os Nômades do Ar de volta funciona muito bem, pois seu foco é no desenvolvimento emocional de Aang, ainda assombrado pela culpa de ter fugido aos 12 anos. Suas decisões, mesmo que obviamente insensatas, fazem completo sentido com o personagem estabelecido em sua série, toda a Gaangue está perfeitamente fiel a quem eles eram, mesmo que não tenham tanto destaque quanto o Avatar. O único que rouba os holofotes é o Sokka, seguido pela Katara, Toph e, por último, Zuko. Ainda assim, todos os 4 têm seus momentos para brilhar, seja em equipe ou individualmente.

Qual é a dessas linhas nos narizes? Distraem um bocado.

Não, o problema não é o enredo principal, e sim a constante derivação de A Lenda de Korra. Togah é uma mistura de Aang com Zaheer, além de ser obviamente o antagonista; o clímax é, essencialmente, o último episódio da 2ª temporada de Korra (mesmo que aqui seja bem melhor) e; proto-Igualitários não fazem sentido nesse período de tempo, tão perto do fim da Guerra dos 100 anos. Como o filme também foi pensado para o público em geral, como introdução à franquia, esses provavelmente não seriam problemas.

Mesmo com essas derivações, o filme ainda funciona, tanto pelo seu arco emocional, quanto pelo seu aspecto técnico. A animação fluida e a linda direção de arte fazem os olhos brilharem. A trilha de Jeremy Zuckerman também é muito bonita, lembra mais a trilha de Korra do que a de Aang, principalmente pelo uso do erhu, mas também por ser muito mais sentimental. E, ei, você pode ouvi-la em todos os streamings, o que é um milagre!

Emoldurem esse filme!

A dublagem brasileira também ajuda muito o filme a funcionar. Começando já com Erick Bougleux, de alguma forma, deixando sua voz idêntica a 18 anos atrás, como se fosse ontem, e dando um tom imponente à versão adulta de Aang, como Luisa Palomanes e Reginaldo PrimoJoão Victor GranjaBia Menezes fazem um trabalho impecável e emocionante, sucedendo Caio César e Ana Lúcia Menezes. Francisco Junior e Fernanda Baronne também incorporam seus personagens perfeitamente. A única crítica nesse departamento é a escolha de traduzir "Cidade República" como "Cidade da República"... mas fazer o quê.

No fim, um aspecto de ser uma entrequência funciona muito bem: a transição de A Lenda de Aang para A Lenda de Korra não é mais tão brutal. Agora, há um pouco mais da jovialidade do Time Avatar antes da seriedade e erros deles se tornarem responsabilidades da geração futura, e talvez, a 3ª temporada de Korra se tornou ainda mais catártica.

VEREDITO: ★★★ ½

Novamente um caso de "por muito pouco não é 4", sérião, saíram lágrimas dos meus olhos, o filme funcionou demais pra mim, mas não dá pra ignorar essas familiaridades. Que venham os Sete Refúgios.

Escrito por Gabriel Bezerra 
Revisado por Clara Silvestre

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