Inapropriados para o Trabalho: Agora, os adultos somos nozes | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU
O ano é 2010, você assiste Smallville no SBT, se tem TV a cabo, talvez a uma reprise de Friends, Dois Homens e Meio (não deveria), ouve sobre Como Conheci Sua Mãe. Uns anos depois, você começa a assistir ao que será o Arrowverse, todas séries protagonizadas por gente muito mais velha que você, adultos (ou atores claramente adultos fazendo papel de adolescente, se vistes Riverdale). Bem, o ano é 2026, uma nova sitcom sai sem alarde no Disney+, e você percebe... que agora você tem a mesma idade que os personagens. [risos] [corte para intro]
Inapropriados para o Trabalho foi criada por Mindy Kaling (mas ao contrário do que a intro indica, apenas os dois primeiros episódios foram roteirizados por ela) e segue 5 jovens adultos, vizinhos, adentrando o mercado de trabalho nas áreas que desejam e passando por variados perrengues profissionais e pessoais.
Os jovens em questão: AJ (Ella Hunt), Abby (Avantika), Josh (Jack Martin), Kel (Nicholas Duvernay) e Davis (Will Angus). AJ, que trabalha com finanças, é nova na cidade e se muda pro apartamento da Abby, que é assistente de estilista. Josh, filho de milionário, Kel, estudante de medicina, mas que quer ser ator, e Davis, que também trabalha com finanças, moram juntos já há algum tempo.
Comédia americana é um negócio que ou funciona ou é a coisa mais vergonha alheia da existência. A americanidade e algumas piadas tentando atingir o seu público-alvo não são tão certeiras, mas essa é uma das mais consistentemente engraçadas. A parte do trabalho é, de fato, uma grande parcela da série, mas parece importar mais pra uns do que pra outros, em troca de relacionamentos e triângulos amorosos.
Como a série é feita para Geração Z (a mais nova das atrizes nasceu em 2005, a maioria em 97), não seria uma boa ideia ridicularizá-la, e felizmente isso não acontece. Ainda se tem os arquétipos típicos de uma sitcom, mas sob a lente atual, e a graça não vem tanto desses arquétipos batendo contra a nova geração, mas sim de como eles evoluíram.
Muito da comédia (que funciona) é situacional, seja no trabalho ou na vida pessoal dos personagens, e mesmo as situações sendo absurdamente previsíveis, de alguma forma, a trama não é ferida pela previsibilidade. Em nenhum momento saber o que vai acontecer desanima, porque a reação e desenrolar da situação se mantêm únicos aos personagens. Você pode já ter visto tal coisa acontecer, mas não com eles.
A dublagem da série é um caso curioso. O elenco é de gente já experiente, mas algo faz parecer que acabaram de começar, exceto pela Camilla Andrade, que dubla a AJ, que encaixa perfeitamente na personagem. Não é uma crítica à Sabrina L'Astorina (Abby), Renan Ribeiro (Josh), Victor Hugo Fernandes (Kel) e Rodrigo Ribeiro (Davis), a dublagem não perde o timing e continua sendo engraçada, até mais pela tradução localizada em algumas falas. É bom ouvir uma dublagem do Rio e ter Márcio Simões, Mariana Torres, Flávia Saddy e outros só aparecendo do nada como personagens secundários.
A série estreou no início de junho, com 3 episódios, e terminou sua primeira temporada no fim do mesmo mês, com 2 episódios lançados semanalmente, tendo apenas 9 episódios. Com pouquíssimo marketing e uma chamada desinteressante na página do Disney+, é um milagre que ela tenha conseguido entrar no Top 10 Séries do streaming durante sua exibição, mas se será suficiente para garantir uma segunda temporada é um mistério.
Inapropriados para o Trabalho, no fim, pode não capturar tão bem assim a ansiedade de ser um jovem adulto adentrando o mercado de trabalho (principalmente para brasileiros), mas é engraçada, com personagens bem definidos e, na maior parte do tempo, inteligentes emocionalmente (exceto o Davis, dane-se o Davis), que vale a pena conferir.
VEREDITO: ★★★ ½
Esse ★★★ ½ é mais 3,95. Meu personagem favorito é provavelmente o Kel, só porque ele é o único inocente daquele apartamento, o núcleo dele na escola é estramentemente divertido, mesmo que dar aula não seja daquele jeito.
Texto de Gabriel Bezerra
Revisão por Tiago Samps





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