INVENCÍVEL: CAINDO NA ZONA DE CONFORTO | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU


A essa altura vocês já sabem o que é Invencível (e caso não, pode pegar o bonde da review da 3ª temporada que escrevi no ano passado) e se está aqui, provavelmente assistiu à nova temporada que terminou na semana passada e procura por uma análise que leve em conta principalmente a obra como adaptação de gibi, né? Não se preocupe, você está no lugar certo.

A última temporada se destacou demais por ser exatamente o que uma adaptação precisa: uma interpretação coerente e melhorada de um material preexistente, e a 4ª temporada, se escorando no que fez de melhor ano passado com o novo e diferente, esqueceu da narrativa, negligenciou todo o resto que faz uma produção animada e audiovisual ser importante: a técnica. A animação da série, se comparada com a primeira temporada, carece demais de detalhes e polimento, o que sinceramente é esperado de uma série de lançamento anual – como a boa e velha TV funcionava antigamente – e o próprio time de desenvolvimento admite trabalhar com um prazo muito curto para dar a devida atenção aos episódios que têm quase uma hora de duração.

Comparação entre o mesmo momento na edição #75 do quadrinho e no episódio 7 desta temporada.

Você pode até me dizer que isso não importa, porque assiste Invencível pela trama, mas importa sim. O audiovisual funciona como um conjunto, e estamos falando de uma produção da multibilionária Amazon, não uma série do Cartoon Network na TV a cabo. Só nessa temporada, tivemos no elenco a adição de Danai Gurira e Bruce Campbell (mesmo que para um episódio cada) e Lee Pace, que é a voz de Thragg, o que destaca o foco de Robert Kirkman e sua produção em gastar dinheiro em grandes nomes que sequer são uma jogada de marketing esperta, vide que serve apenas para países de língua inglesa e apelam para um nicho muito específico de pessoas que se lembram de nomes de celebridade, ou um menor ainda que reconhece suas vozes só de ouvir – Dito isso, foi sim muito legal ter as vozes do Optimus Prime e Megatron conflitando de novo com Peter Cullen e Frank Welker como Thaedus e Argall.

Thragg e o Imperador Argall

Enfim, chegamos à Guerra Viltrumita e oficialmente estamos na metade da história (um pouquinho depois da edição #70, sendo #144 no total), onde ela de fato começa. Conhecemos finalmente o Grande Regente Thragg, o líder dos Viltrumitas, e vimos o (re)reencontro do Invencível com seu pai, o Omni-Man, e desse último com Debbie Grayson, que sinceramente, era um encontro muito mais esperado desde a primeira temporada, principalmente levando em consideração o novo, mais coerente e satisfatório caminho que o arco da personagem de Sandra Oh (na dublagem brasileira Adriana Pissardini) estava percorrendo até aqui... e que pode cair por Terra nas próximas temporadas se não tomarem cuidado. De qualquer forma, ambas as atrizes entregam uma performance de voz incrível que poderia ser transmitida, também, visualmente, de forma criativa, como todo o texto e atos dentro destes bons 8 episódios. Como sempre, são poucos momentos realmente memoráveis dentro destes longos capítulos, porém MUITOS momentos comparáveis (de forma negativa) para com os quadrinhos. Claro que são mídias diferentes, no entanto, é de se apontar que dá pra melhorar. Não precisa reinventar a roda como a franquia Aranhaverso fez no cinema (até porque, de novo, são mídias diferentes), mas está chegando na hora de sair da zona de conforto e explorar para além da narrativa para fazer jus às melhores partes que estão prestes a serem adaptadas na(s) próxima(s) temporada(s).

Diferente dos quadrinhos, em que Debbie reata com Nolan assim que ele volta para a Terra, a série tem desenvolvido diferentes estágios de luto, superação e principalmente independência da personagem, tornando-a um apoio muito mais consistente para o personagem-título e uma figura muito mais interessante de se acompanhar.

Ah, e para não terminar de falar da temporada sem citar o primeiro episódio que trouxe uma história completamente original que tinha sido descartada do material original... A ideia era interessante, mas a execução deixou bem claro o motivo da ideia ter sido cortada da publicação original. Mesmo assim seria interessante ver novas investidas dessa natureza no futuro, não só com histórias novas, mas uma exploração melhor trabalhada de momentos desperdiçados nos quadrinhos, como o que está acontecendo com o Robô e Menina Monstro na dimensão do império Flaxan.

VEREDITO: ★★★ ½

A série ainda é boa, e claro que ainda vale a pena ser assistida. Se continuar fazendo o que está fazendo, é muito difícil da qualidade cair. Para quem não leu os quadrinhos, provavelmente se delicia com um material de qualidade, mas uma nova abordagem de um universo de visual tão mais interessante do que está sendo entregue inevitavelmente será criticada quando sabemos o potencial do time trabalhando em uma das obras mais memoráveis (e por que não importante também) dos anos 2000 para a 9ª arte.



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