Dia D: Aliens são reais, se acreditar neles | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU

 

E, aparentemente, ninguém acredita mais do que Steven Spielberg.

Dia D (ou dia da revelação, em inglês) é o mais novo filme do diretor, onde, após dizer repetidas vezes que não o faria, volta a falar sobre vida extraterrestre. A proposta do marketing? Abordar como a civilização reagiria à revelação de que alienígenas existem. Bem, esse é certamente um assunto muito discutido, mas que não sai da teoria.

A real proposta? Difícil dizer, entre "empatia é a maior arma do universo" e "o conhecimento de alienígenas levará à paz mundial". A verdade é que Spielberg e David Koepp querem usar um para exemplificar o outro, e isso é feito com ligeiro sucesso.

No filme, Daniel Kellner (Josh O'Connor) e Margaret Fairchild (Emily Blunt) se veem amarrados em uma trama de segredos e mistérios muito maior que eles. Em constante movimento, com o sinistro Scanlon (Colin Firth), eles devem confiar que as respostas estão no fim dessa jornada.

Os primeiros 30min de filme jogam a audiência direto em uma trama em andamento. Cercada de suspense, a grande revelação é que: alienígenas são reais... Felizmente, o filme não se mantém nessa "chocante" revelação por muito tempo e aproveita as ferramentas de ser um sci-fi para criar cenas tensamente desconfortáveis e esquisitas, ainda que simples.

É nessa exploração da conexão alienígena que advêm as partes mais interessantes do filme, assim como a confusão quanto à mensagem de empatia, já que ela é construída sob o fundamento de leitura da mente e invasão de privacidade, não é como o roteiro trata, mas é basicamente o que está acontecendo.

Nas mãos de qualquer outro, essa história não conseguiria sequer se manter em pé por 1/3 do caminho. Mas nas mãos de Steven Spielberg, a execução se torna a salvação. Criando sequências que se aproveitam de todo o escopo cinematográfico: uma virada da câmera, uma informação revelada por um reflexo, uma pausa inesperada levando a um momento cômico, uma luz bem posicionada pra tornar dinâmica uma tomada de dois personagens parados. Ninguém faz como ele.

Mas em conjunto. Janusz Kaminski retorna como Diretor de Fotografia e traz com ele seu usual visual brilhoso, mesmo que contido um pouco aqui. Sarah Broshar, que nunca deixa o filme perder a bola de vista, fazendo com que uma duração relativamente longa passe voando na edição. Eles, e claro, também a maior das armas secretas do diretor.

A (possível última, ainda mais provável que antes) trilha de John Williams marca o 30º trabalho com Spielberg e, se você conhece o amplo trabalho do compositor, vai ouvir de IA, a Amistad, até Vingança dos Sith e Indiana Jones. Não é uma afirmação de preguiça, o contrário disso, a trilha possui temas e motivos originais que encaixam com os temas do filme mais como uma luva do que o roteiro consegue. É uma composição que te pega lá no peito e é um testamento de toda a incrível carreira de um compositor que fez homens e meninos voarem.

Infelizmente, a cabine de imprensa foi legendada, e por mais que a voz da Emily Blunt seja levemente irritante, é inegável o trabalho de expressar emoções fortemente contrárias rapidamente que a atriz realizou. O'Connor continua a mostrar que é um dos melhores atores em atividade, mas seu personagem não tem tanto o que fazer quanto Blunt.

No fim, não é um dos melhores filmes do Spielberg. Comparando com a sua trilogia alienígena: seu cerne emocional é mais profundo que Guerra dos Mundos, mas não chega tão perto do de E.T., e também não possui sequências igualmente memoráveis, apesar de ter o coração no lugar certo. É certamente melhor que Contatos Imediatos, mas isso não é difícil.

Com tantas mãos experientes na cozinha, seria difícil não sair algo minimamente competente, e caso o foco do início e do clímax fosse mais na questão da empatia, e não em provar todas as teorias conspiratórias sobre extraterrestres dos Estados Unidos especificamente, talvez Dia D fosse mais do que um bom filme, tecnicamente primoroso, que vale a pena assistir, mas perdido em sua própria ambição.

VEREDITO: ★★★ ½

O filme não toma a tela IMAX inteira, mas ele certamente brilha e ressoa muito mais lá, pelo visto, infelizmente, só legendado. Se você não ficar pros créditos finais... o que você está fazendo? Única vez que me emocionei no filme.


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