Homem-Aranha: Um Novo, Simples e Familiar Dia. | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU
A espera acabou, e Homem-Aranha 4 finalmente chegou. Não é com o Tobey Maguire prometido pela Sony pra 2011, mas é um projeto que resgata muito mais do que o esperado da energia dos filmes de Sam Raimi.
Quando a vida do Homem-Aranha começa a consumir o pouco que restou de Peter Parker 4 anos após os funestos eventos de Sem Volta Para Casa (2021), o Amigão da Vizinhança precisa reaprender a usar os seus poderes antes de enfrentar uma nova entidade que ameaça aqueles que ama.
Novamente o drama da identidade secreta retorna, fazendo das interações do herói com seus coadjuvantes muito mais interessantes, e permitindo que Tom Holland explore uma interpretação muito mais física e corpórea do que na primeira trilogia. Muito da expressividade de movimento nesse filme se assemelha ao carisma de Andrew Garfield, mas toma muito mais emprestado de Tokusatsu (gênero de ação japonês), que claramente também foi fonte para a direção de Destin Daniel Cretton como um todo.
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| O “Rider Kick” é o chute marca registrada de Kamen Rider, seriado de ação japonês. |
Embora, lá para o terceiro ato, o filme caia na síndrome acizentada da cinematografia atual, Cretton entrega momentos muito bonitos mesmo fora das cenas de ação (que são as melhores de qualquer saga do Aranha), com uma paleta de cores bem melhor definida — O que comparado com o trabalho de Jon Watts, não era muito difícil de fazer.
O filme passa uma sensação de déjà vu muito forte tanto para quem é familiarizado com os quadrinhos, quanto para quem tem apenas bagagem de adaptações. Todo o longa se esforça demais para ser um gibi em movimento, e esse sentimento alcança seu clímax quando o Homem-Aranha interage despretensiosamente com outros heróis de uma forma bem mais natural do que as relações de mentoria dos filmes anteriores. Funciona mais como parcerias de conveniência dessa vez, e são muito mais divertidas e pontuais.
Entre Bruce Banner (Mark Ruffalo) e Frank Castle (Jon Bernthal), não é surpresa que o Justiceiro é a melhor adição ao elenco coadjuvante por Bernthal ser parceiro de tela de longa data de Tom Holland (tendo trabalhado juntos não só recentemente em A Odisseia, mas tendo se ajudado nas audições para seus papéis na Marvel durante as gravações de sua primeira parceria em A Peregrinação), mas a transição das séries +18 para o filme juvenil foi muito bem trabalhada sem perder nada da essência do personagem, que fica ainda mais parecido com os quadrinhos ao se permitir ser um pouco mais "tosco".
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| Pela primeira vez, o Justiceiro tem uma variedade de super dispositivos que não precisam de explicação para existir, sendo engraçado alá Looney Tunes quando faz, literalmente, bigornas caírem do céu. |
Pela primeira vez, inclusive, a ausência da voz de Reginaldo Primo não incomoda este que vos fala, pois Raul Rosa finalmente parece ter se encontrado no Justiceiro de Bernthal. O que pode ser uma façanha da direção de dublagem, que é sensacional no filme. Wirley Contaifer consegue passar o amadurecimento de Peter Parker pela voz, o que era uma das minhas maiores preocupações, levando em consideração não só os trailers do filme (comparando já com a evolução na performance de Tom Holland), mas também na dublagem de A Odisseia, o que, infelizmente, por ser o mesmo ator em papéis relativamente parecidos, era inevitável compará-los.
Voltando para a familiaridade da trama, aqueles que são educados na trilogia de Sam Raimi podem perceber uma repetição da jornada de descobrimento dos poderes atrelados à puberdade/crise de identidade, o que não é ruim. Muito pelo contrário, é interessante ver essa versão do personagem finalmente passando por isso, e as semelhanças ainda são admitidas dentro do filme.
Até a trilha sonora se esforça muito pra não se distanciar do que foi construído anteriormente, mesmo tendo a desculpa perfeita pra isso... Michael Giacchino PODERIA ter entregue algo completamente novo para essa nova fase do aracnídeo, mas o fato de reciclar o que funcionou com um toque mais maduro acaba funcionando. É covarde, mas funciona. Não é como se todo o público tivesse a capacidade de reconhecer temas (sejam eles musicais ou narrativos) recorrentes, infelizmente.
Agora, é muito difícil de citar a maior ameaça do filme sem dar SPOILER. Então, se não deseja ter a sua experiência (mais) estragada antes de assistir, pule daqui para o veredito.
Você está avisado.
Embora não seja surpresa para ninguém que Sadie Sink seja a nova Jean Grey, a introdução da personagem ao UCM é um ponto que assustava qualquer um com o mínimo de familiaridade com esses personagens. Não porque eles não funcionam juntos (até porque foram criados na mesma época e, bem dizer, cresceram juntos), mas por causa do tom dessas específicas novas histórias do Aranha que até então não serviram para apresentar conceitos que fossem bem utilizados no geral.
E que surpresa boa é essa introdução. Mesmo sem citar mutantes (de Gene X, pelo menos). Jean Elaine Grey pode ser sua própria personagem, com seus próprios e humanizados traumas, mesmo ainda sendo extremamente poderosa, sem a necessidade de envolver a Fênix ou qualquer outro elemento da mitologia dos X-Men. Fazendo da personagem uma futura heroína que, claro, será uma peça chave do time, mas que pode funcionar sozinha e em outros núcleos. Como protagonista, como apoio, e claro, como já ocorreu em duas sagas diferentes, como vilã.
VEREDITO: ★★★ ½
Um Novo Dia abre a segunda trilogia do maior herói da Marvel com uma nova direção muito mais empolgante para o personagem, seja para visual, para drama e fidelidade em relação ao material original, agradando aos fãs de uma forma até que escancarada, aproveitando pra preparar terreno para outros cantos do universo cinematográfico sem forçar ir além do que precisa ser: um filme do bom e velho, amigão da vizinhança, o Homem-Aranha.
Texto de Tiago Samps
Revisado por Luisa De Luca



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