O Fim da Rua: Um mundo (jurássico) inteiro no nosso quintal | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU

 

A parte importante primeiro: O cachorro morre? Não... Mas o filme não exerce a mesma simpatia aos gatos.

O Fim da Rua (Oak) é o primeiro filme do diretor e roteirista David Robert Mitchell em 8 anos. Também é a primeira produção da Bad Robot (J.J. Abrams) há algum tempo. Estrelado por Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella e Christian Convery, o filme acompanha a sobrevivência da família Platt em meio à misteriosa aparição do seu bairro no período cretáceo.

A premissa é parcialmente o que Jurassic World: Domínio deveria ser: dinossauros no meio da civilização, aqui, de um subúrbio dos anos 80. Os personagens têm suas características bem definidas no começo pré-abdução do bairro, e sementes de arcos narrativos são plantadas... para depois serem comidas pelos dinossauros (metaforicamente e literalmente falando). É o mínimo para os atores terem alguma coisa com o que trabalhar. O destaque fica com Hathaway, que tem muito mais o que fazer emocionalmente.

Isso prejudica o filme? Não exatamente. Uma vez que a rua chega no período cretáceo, o foco se torna os sustos e gritos, em que o filme faz bonito. Nem tanto nos efeitos: apesar do design dos dinossauros ser suficientemente diferente e haver espécies majoritariamente incomuns para não parecer que vieram da franquia vizinha, o CG por muitas vezes deixa a desejar, principalmente o cachorro.

A direção de fotografia de Mike Gioulakis põe a câmera de uma forma em que se espera um dinossauro aparecer a qualquer momento, o que contribui muito para a tensão contínua. Mas o aspecto sonoro é de onde os sustos são mais eficazes e o horror da situação permanece constante. Incluso nesse som está a trilha de Michael Giacchino, que possui dois temas memoráveis típicos dos anos 80, e que continuam mesmo quando a trilha está dissonante e caótica enquanto os personagens fogem dos dinossauros. Em um grande momento do filme, que parece cutucar a franquia vizinha com as escapadas impossíveis, a trilha é a principal fonte do sentimento de que tudo vai dar certo.

É um filme estritamente preocupado com esse aspecto da ação com dinossauros. O porquê, como, desenvolvimento de personagens, são secundários ou até terciários, apesar de estarem lá e levarem a um final um tanto duvidoso. Mas se tudo o que você quer é ver Anne Hathaway atirando em dinossauros, esse é o filme pra você (gatos mortos não inclusos).

VEREDITO: ★★★?

Aí que tá: esse não é meu tipo de filme, gente morrendo a torto e a direita, então fica difícil dar uma nota. Honestamente, ele foi bem eficaz, nos seus sustos, no pouco de substância e na ação com dinossauros... nem tanto naquele final.



Texto de Gabriel Bezerra

Revisado por Clara Silvestre

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