Minha Melhor Amiga na Ilha Esquecida: As amigas que fizemos no caminho | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU

Aconteceu algo curioso nos cinemas brasileiros este mês de Setembro. A Ilha Esquecida (com estreia antecipada) e Minha Melhor Amiga, dois filmes sobre amizades femininas de longa data entre duas mulheres, estrearam com 1 semana de diferença. Um caso clássico de O Grande Truque/O Ilusionista, Velozes e Furiosos/60 Segundos, etc. Mas esses dois filmes têm ainda mais semelhanças do que a temática...

Temendo a iminente ruptura pela distância, Jô e Raissa caem em Nakali, a ilha mística que ambas prometeram encontrar, mas, ao perceberem que, na verdade, já passaram 1 dia inteiro no local e se esqueceram, as amigas devem refazer seus passos pela ilha e enfrentar as ramificações de suas ações esquecidas enquanto conhecem, pela segunda vez, um grupo colorido de novos "amigos".

Sofrendo com a estagnação no casamento e com o declínio profissional por conta da idade, Julia e Clara decidem dar um tempo em seus problemas no Brasil e viajar juntas para Portugal, aproveitando para visitar suas filhas, Manu e Isadora. Os problemas, porém, as seguem até a Europa, e elas devem enfrentar seus próprios medos, ao mesmo tempo em que lidam com quem as filhas são longe delas.

A ideia principal vendida por A Ilha Esquecida era memória, e mesmo que ela tenha sua devida importância para o início e no clímax do filme, a meiuca é mais um tour pelo folclore filipino (cuja qualidade de representação, superficialmente, parece tomar bastante liberdade, os filipinos saberão com mais propriedade) como forma de contar a história do dia anterior, o que não é lá muito emocionante (não no sentido de chorar, é mais no sentido de sentir qualquer coisa).

O que faz essa parte do filme é, certamente, seu visual vibrante e estiloso, na mescla de 2D/3D e nas sequências de flashback da noite anterior completamente em 2D, que complementam os designs perfeitos de cada personagem. É um espetáculo visual e divertido (essa meiuca também possui muitas piadas, cuja graça varia de pessoa para pessoa).

E falando em diversão, Minha Melhor Amiga é, majoritariamente, de se encasquetar de rir. Parece, de tempos em tempos, uma série de esquetes humorísticas ligadas por um tênue fio narrativo, mas nunca se perde em si mesmo. O filme tem uma mensagem muito clara sobre etarismo, a ponto de as personagens olharem diretamente pra câmera enquanto falam, o que, infelizmente, a essa altura, prova-se cada vez mais necessário.

O grande sucesso do filme se dá, exclusivamente, pela química de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, que, se não fossem os erros de gravação nos créditos finais, poderia facilmente ser confundido com um documentário seguindo as duas pela Europa, tamanha é a naturalidade com que elas interpretam as duas amigas de longa data. Destaque também para Giulia Benite e Gabi Amaral, que têm de contracenar e te fazer acreditar que são as filhas de verdade das duas, o que fazem muito bem.

A dublagem de A Ilha Esquecida tem alguns elos fracos. O maior deles, naturalmente, é o star talent Victor Sarro, que nem com os talentos de Fernanda Baronne como diretora, consegue passar a energia que o personagem em tela passa. Essa incapacidade é ressaltada pelo trabalho fenomenal de Isabella Simi e Pamella Rodrigues (que dá a vida no clímax do filme), dubladoras das amigas, que, unidas à tradução de André Bighinzoli, dão aquele gostinho de dublagem clássica que é típico da Dreamworks.

Seja em uma viagem por Nakali ou pela Europa, ambos os filmes celebram a amizade, aqui, feminina. Os dois filmes terminam basicamente da mesma forma, a meiuca deles tem seus tropeços (há um sub-enredo em Minha Melhor Amiga sobre traição, que o roteiro dá voltas pra justificar, mais ou menos com sucesso) e o início reflete dois períodos diferentes da amizade, o que torna uma dobradinha uma experiência calorosa. Feitos para o cinema, um pelo seu espetáculo e o outro pela alegria de rir juntos.

VEREDITO: ★★★★

Dobradinha que fiz, há um tempo já, na semana do cinema, mas só fui escrever agora, desculpa. A parte de se encasquetar de rir veio mais da minha mãe, que quase ficou sem ar. Ela tem mais alegria no coração do que eu. Mas sobre A Ilha Esquecida, talvez tenha sido uma questão de expectativa, o filme me perdeu no meio, mas acabou comigo no fim, quando a parte da memória entra com força. Os dois filmes as vezes são muito de muito, mas é tranquilo ver um atrás do outro. Recomendo.

Texto por Gabriel Bezerra
Revisão por Clara Silvestre 

Comentários

Postagens mais visitadas