Star Trek: Academia da Frota Estelar - Seguindo Adiante | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU
Ano passado, ao falar sobre esta série, Alex Kurtzman disse que eles iriam abraçar todos os espectros políticos, convidar todo mundo. Mesmo que tal esforço tenha sido feito, era óbvio que a história se repetiria e os fãs rechaçariam uma nova série da franquia que ousa fazer algo diferente. Junte a isso uma campanha de contra a série, muito similar à que The Acolyte sofreu, e uma falta de objetividade é criada.
Mas a verdade é que: Academia da Frota Estelar é a mais nova série da franquia. Após ser separado de sua mãe pela Federação durante um período conturbado de sua história, Caleb Mir cresceu em busca dela. Ao ser encontrado por Nahla Ake, capitã da recém-aberta Academia, Mir tem a escolha de seguir sua vida fugindo ou de entrar para a Frota e receber ajuda em sua missão.
Baseada em uma ideia que já havia sido tentada nos anos 90, não havia melhor momento para uma série situada na Academia acontecer. Devido à Queima, trama destrinchada na 3ª temporada de Discovery no século 32, a Federação deixou de ser o que era e só agora está retomando seus valores, tendo de aprender (tanto os calouros, quanto os oficiais) a reconquistar a confiança pessoal e a de uma galáxia quebrada.
Que as crianças são o futuro, todo mundo sabe. Academia usa isso como comentário para o mundo real, onde os jovens herdam e herdarão um mundo em condições piores que as de seus pais. Aqui, algumas gerações fundo a Queima, o bando de jovens com atitude possui as ferramentas e uma chance de melhorá-lo, de pouco em pouco.
Os jovens em questão são: Caleb Mir (Sandro Rosta), o rebelde sem causa; SAM - Série Aclimatação Mil (Kerrice Brooks), a peixe fora d'água; Genesis Lythe (Bella Shepard), a patricinha; Jay-Den Kraag (Karim Diane), o coração mole; e Darem Reymi (George Hawkins)... o idiota. Os roteiristas conseguem desenvolver esses clichês ambulantes em algo mais nos 10 episódios da série, alguns mais que outros, às vezes é óbvio quando estão deixando alguém de lado para desenvolver outro, mas há de fato um bom balanço entre cada um deles, que chega ao ápice no episódio final, mesmo que a forma de todos eles estarem convenientemente no mesmo lugar tenha sido forçada.
Com eles, o time sênior, composto por atores de peso: Nahla Ake (Holly Hunter), a capitã exêntrica; Jett Reno (Tig Notaro), a professora sarcástica; o Doutor (Robert Picardo), ranzinza desde o século 24; Anisha Mir (Tatiana Maslany), mãe de Caleb; e o vilão Nus Braka (Paul Giamatti). Não há como negar que as melhores cenas da série envolvem alguns desses atores simplesmente tomando a tela para eles. Especialmente quando são só Hunter, Maslany e Giamatti juntos.
E, apesar da premissa suportar uma temporada curta, a série não foca nela por muito tempo, ao invés disso resolve vadiar junto dos personagens, o que pra quem já vadiou com os amigos, sabe que é muito mais divertido e um jeito muito mais interessante de conhecer as pessoas. Os roteiristas se aproveitam desse formato mais leve para criar histórias episódicas, às vezes com um estilo próprio característico de cada personagem, que no final se complementam direitinho.
O aproveitamento do set também é fenomenal: é o maior set da história da franquia e dá pra perceber. Complementado pelos efeitos especiais de nível cinematográfico, o que seria de se esperar. Porém, aqui, finalmente, a imagem está sem barras pretas em cima e embaixo, em uma tentativa de fingir ser um filme. Então, dá pra ver muito mais do trabalho técnico envolvido, e por isso a série é muito bonita visualmente.
Mas sua mensagem geral também é muito bonita, uma que Discovery já havia utilizado e que é intrínseca à Jornada nas Estrelas: apesar de seus erros e arrependimentos, nunca é tarde para começar a melhorar a si mesmo. Todos os personagens possuem algum conflito interno, algum segredo que os consome, mas com o apoio e ajuda oferecidos entre eles, o crescimento ocorre.
O que torna frustrante a campanha contra a série. Os gritos raivosos sobre não ser Jornada nas Estrelas. Certamente é diferente, feito para um público mais jovem, pois é a realidade que uma franquia que fará 60 anos este ano, precisa de renovação. Algumas decisões são questionáveis? Sim, o uso exacerbado de palavrões e linguagem atual no século XXXII é estranho, mas a campanha não tem a ver com isso.
A "crítica" é sobre ser woke, conter lacração. Comparando com Discovery, houve de fato um esforço para "trazer todos para a tenda", pois apesar de existir casais LGBTQIA+ na série, não há qualquer intimidade entre eles, a trama não foca neles, nos relacionamentos ou em raça, os personagens são o que são, com suas identidades inerentes, e esse é o problema para alguns. E se existir é o problema, então a verdade é que essas pessoas não querem um futuro em que infinita diversidade exista, quanto a isso, sinto muito, e se for brasileiro, como você consegue sair na rua sem surtar?
Enfim, Academia da Frota Estelar tem seus tropeços, ainda não se sabe se a premissa de alcançar novos públicos funcionará (Subalternos alcançou mais que a outra série com esse propósito, Prodigy, que atualmente está em um limbo, apesar de ser uma das melhores da franquia), mas sua existência é um positivo e um ar fresco no meio do caos.
VEREDITO: ★★★★
A SAM precisa ser protegida a qualquer custo!
Revisado por Clara Silvestre








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