COYOTE VS ACME - BASEADO EM FATOS LUNÁTICOS | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU
Salvo das garras do CEO da ACME, David Zaslav, o mais novo filme animado/live action dos Looney Tunes agracia as telas de cinema nesta quinta-feira (27/08). Após diversas tentativas fracassadas de recriar o sucesso de Uma Cilada para Roger Rabbit e, de certo modo, Space Jam, seria Coyote Vs ACME o filme que conseguiria ser bem sucedido onde tantos fracassaram, ou seu destino deveria realmente ter sido o cofre da Warner?
Felizmente, Coyote Vs ACME é o melhor longa-metragem dos Looney Tunes, certamente o melhor híbrido animação/live action! Insatisfeito com os produtos ACME que sempre explodem na sua cara, o Coiote [genius] segue para a cidade com o objetivo de abrir um processo contra o maior conglomerado do mundo: a ACME. Utilizando os serviços do preguiçoso advogado Kevin Avery (Will Forte), ajudado por sua sobrinha Paige (Lana Condor), os três batem de frente com Buddy Crane (John Cena) no tribunal.
Baseado em um artigo cômico do New York Times, por Ian Frazier, o roteiro de Samy Burch expande a premissa do Coiote processando a ACME para uma conspiração empresarial, tornando o filme um mistério legal (de legalidade, mas também é legal) e utilizando os clichês de filmes do gênero (Todos os Homens do Presidente, Dark Waters, etc.) com uma virada lunática, porém, ainda levando a sério a história que está contando, assim como Uma Cilada para Roger Rabbit fez com os filmes Noir.
Isso faz do filme um bom drama legal? Não exatamente. A parte procedural não é o foco da narrativa e as cenas no tribunal acabam mais cômicas, certamente não encaixariam em um episódio de Suits. Porém, é um excelente filme de mistério, não só por ser uma conspiração bem construída, mas por ela ter raízes na vida real, sendo um problema enfrentado por minorias há décadas, já abordado em outros filmes e séries. E, mesmo que aqui, isso seja abordado com os Looney Tunes, não se torna uma piada.
E é nessa abordagem com os clássicos desenhos que o filme se destaca. Apesar de estarem em um contexto muito diferente de onde se originaram, tanto o Coiote, quanto o Papa-Léguas [muitus rapidus] e as participações especiais, estão extremamente fidedignas e, portanto, engraçadas. Talvez por conta do roteiro não poder depender de piadas no diálogo, por seu protagonista ser mudo, a comédia visual é muito certeira. Até os humanos, geralmente o elo mais fraco nesse tipo de filme, têm seus momentos hilários.
As únicas falhas do filme são a baixa integração de humanos/desenhos e o fato de não ser em 2D, mas sim em 3D cel-shaded. Mesmo que os modelos estejam perfeitamente fiéis, a sensação de que algo está errado permanece. Um vale da estranheza animado, que é exacerbado toda vez que uma cena realmente 2D aparece em tela. As interações entre animação e live action são relegadas, majoritariamente, a objetos. Quando há contato com os atores, algumas cenas deixam a desejar.
É insanidade que esse filme poderia nunca ver a luz do dia, e traz ainda mais questionamentos sobre a real qualidade dos filmes que não foram resgatados por empresas como a Ketchup Entertainment. É um prazer dizer que após 30 anos (debatível, Space Jam nem é tudo isso), existe um BOM filme dos Looney Tunes/live action nos cinemas.
VEREDITO: ★★★★
Pra quem leu minha review de Aang, saiba que corrigi meu erro e atualizei para 4 estrelas também. Esses filmes são igualmente maravilhosos. E comédia é algo muito difícil para minha pessoa, especialmente se tratando dos Looney Tunes, mas de alguma forma, pegaram justamente o que me incomodava e tornaram um ponto na trama... somado a sempre ter achado os curtas do Coiote engraçados, foi um filme feito pra mim. MALDITA WARNER! CADÊ OS EPISÓDIOS ORIGINAIS DE LOONEY TUNES NO HBO MAX!





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