X-Men '97 - O DECLÍNÍO É INEVITÁVEL. | REVIEW QUE NINGUÉM PEDIU


 Depois de 2 anos de espera, a 2ª temporada de X-Men '97 chegou e começou em um ritmo super interessante, trazendo de volta o drama da família Summers e dando uma prévia muito gostosa de quão legal poderia ser se focasse em paralelo em outros núcleos e personagens, mas infelizmente, dividida entre desenvolver os personagens e finalizar a trama de Apocalipse, termina apenas abarrotando-se em seus curtíssimos 9 episódios de forma extremamente tosca.

Parece que estou me adiantando para o veredito, né? Desculpa. Mas vamos lá...

A excelente primeira temporada da série, que é um revival da série clássica dos mutantes da Marvel lá dos anos 90, não só moderniza aquela versão dos X-Men como melhorava o nível da série como um todo, em todos os aspectos técnicos como animação, direção e trilha sonora, e também na narrativa com uma escrita mais focada e relativamente séria. O único defeito da série já era a curta quantidade de episódios de duração igualmente diminuto, o que impede momentos mais suaves, tranquilos e naturais de acontecerem com os personagens (e quando aconteceu nessa temporada, a galera cismou de chamar erroneamente de "filler").

O episódio focado no Wolverine deu uma nova explicação para o retorno de seu esqueleto de vibranium, que nos quadrinhos foi devolvido quando Logan se tornou um arauto de Apocalipse. O episódio também explorou um pouco Morfo e desenterrou informações sobre o Dentes de Sabre importantes para um episódio protagonizado pelo Noturno. Ou seja, não foi filler.

Uma semana antes da estreia da primeira temporada em 2024, Beau DeMayo, o roteirista chefe do projeto foi demitido da Marvel Animation sob diversas acusasões de assédio pela equipe (que logo foram corroboradas pela sua postura agressiva nas redes sociais), o que causou o adiamento da segunda temporada e a lógica troca de time criativo, onde Mathew Chausey assumiu como showrunner e Brian Ford Sullivan tomou as rédeas como o roteirista que reescreveu o que DeMayo tinha deixado pronto para um novo caminho.

Ou seja, assim como a primeira temporada de Demolidor: Renascido, a essa temporada de X-Men '97 é um conjunto de retalhos narrativos costurados, e até que bem transicionados, se não fosse o abismo qualitativo entre o planejamento original, que focaria muito mais na decadência mental de Xavier após a morte de Magneto, culminando no vilão Massacre e desenvolvendo lentamente a Era de Apocalipse apenas para a terceira temporada.

Nos quadrinhos, o Massacre é uma entidade criada a partir da parte ruim das consciências do Professor X e do Magneto.
Com a morte de Magnus na série, Charles Xavier estava no momento perfeito não apenas para ter absorvido a mente de seu amigo/amado, mas também para explorar mais de seu ódio e ressentimento por Apocalipse e pela humanidade — sobretudo pelo governo dos Estados Unidos, que criminalizou seus X-Men.

No fim, tivemos apenas vislumbres interessantes do luto de Xavier que não levaram à lugar algum, o retorno de Polaris para o time principal que, também, em nada culmina, e utilização vazia de elementos dos quadrinhos que poderiam cada um servir para futuras temporadas inteiras ao invés de desperdiçados.

A principal ameaça da vez foi Apocalipse, o primeiro mutante, e assim como na série original e em qualquer outra mídia desde sua criação, o vilão serve muito mais como uma ameaça hipotética do que real, e geralmente decepciona quando de fato precisa ser enfrentado. Principalmente quando resta apenas um episódio de 20 minutos para amarrar não apenas sua ressureição, mas sua derrota, é tão tosca que me deu flashbacks de guerra dos tenebrosos finais de temporada de What If...?, e não a toa, já que Chaunsey foi diretor e roteirista lá, e é quem assume o comando da série.

O que isso significa para a 3ª temporada no ano que vem, provavelmente, é que ainda mais pataquadas virão.

Entre o Apocalipse no corpo do Gambit e a Vampira com poderes de Celestial, faltou pouqíssimo para a Capitã Carter aparecer com todas as Jóias do Infinito para salvar o dia.

Entre os momentos que salvam, estão o excelente crescimento da Jubileu e o foco individual dado em personagens como Wolverine, Polaris e Noturno. Este tipo de episódios estão longe de serem fillers e é necessário para uma série com tantos personagens chave, mas podem e vão soar como obstáculos quando o tempo para explorar entre dramas pessoais e ameaças globais é reduzido. 

Teria sido interessante ver mais das abordagens diferentes de cada time mutante que precisou ser criado com o novo status quo definido após Genosha e o atentado de Magneto, as diferenças entre a X-Force e X-Factor, e a X-Corp como a força opositora a ambos, assim como as mãos atadas dos X-Men restantes não podendo agir para manter o Instituto Xavier e seus alunos seguros.

Novamente, Tempestade, assim como Bishop e Mancha Solar, são menos que coadjuvantes (me pergunto o que eles têm em comum...), mas até os considerados protagonistas anteriormente, como Ciclope, Jean Grey e Cable, tiveram pouquíssimas interações depois dos episódios iniciais.

X-Factor e X-Force são as duas novas equipes apresentadas na temporada, sendo a primeira o time oficial do governo dos estados unidos para assuntos mutantes, e a segunda o time de operações secretas do Cable focado em eliminar o Apocalipse por quaisquer os meios necessários.

A animação continua bonita, a trilha dos Newton Brothers continua pontual... o novo time de roteiristas só precisa trabalhar muito mais sua criatividade e mergulhar no drama de novelinha que os mutantes podem proporcionar — e Brian Ford Sullivan tem experiência em novela de super-herói, já que trabalhou da 3ª a 5ª temporada de Arrow na DC!

VEREDITO: ★★

Enfim, a temporada foi decepcionante e levanta questionamentos e preocupações quanto à próxima temporada, que foi revelada recentemente estar pronta e marcada para 2027, e ainda renovada para mais uma. Ambas com potencial para serem a porta de entrada do público para dúzias de arcos nunca explorados fora dos quadrinhos dos X-Men, ou assim como What If...?, ser um laboratório para a (falta de) criatividade de seus roteiristas.


Texto de Tiago Samps

Revisado por Luisa De Luca

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