‘Supergirl’ e a misoginia disfarçada de crítica.
A estreia de Supergirl nos cinemas nos coloca dentro da terceira repetição de um ciclo muito comum no cinema de super-heróis: o revisionismo.
Em 2016, a CBS lançou (e a CW cotninuou) uma série da Supergirl que durante as suas 6 temporadas foi duramente criticada pela base de nerdolas na internet por ser, assumidamente, uma série escrita pensando no público feminino. Embora a série de fato tenha perdido a qualidade em seus últimos anos (o que não foi exclusivo da Mulher do Amanhã, já que a série do Flash, no mesmo universo, passava pela mesmíssima crise), suas primeiras três temporadas são consideradas como parte dos melhores materiais lançados pelo Arrowverse entre aqueles que realmente acompanhavam esse universo (como nós aqui no Nerdish, que temos diveros textos sobre ele, desde uma homenagem ao seu legado até capítulos dedicados do Trilhando Trilhas). No entanto, quem lê os quadrinhos também sabe que a Kara Zor-El interpretada por Melissa Benoist não passava, de fato, de um Superman de saia no que diz respeito à sua personalidade e às histórias que eram adaptadas. Isso pode ter funcionado na época, mas fazia dessa versão objetivamente uma má adaptação da personagem.
| Melissa Benoist como Kara Danvers na primeira temporada de Supergirl, exibida na CBS no ano de 2015. |
| Tweets recentes comparando as Supergirls, comparando inclusive as aparências das atrizes. |
| Manchete de um artigo do blog The Mary Sue de 2023, e postagem do X (na época ainda Twitter) quando Sasha Calle interpretou Kara Zor-El em The Flash, dirigido por Andy Muschietti. |
Quando seu filme saiu, ele foi um desastre de crítica e de público. A partir disso, criou-se um argumento de que filmes de super-heroínas não eram tão tentáveis quanto dos heróis masculinos - o que é cômico quando lembramos que na mesma época o próprio Superman estava fracassando com os filmes III e IV com Christopher Reeve.
O filme de 84, por exemplo, que pode ser considerado por alguns hoje em dia como um fruto divertido da tosquice campy dos anos 80, possui suas qualidades, como a própria Helen Slater, que estreava ali aos seus 19 anos como atriz, e a trilha de Jerry Goldsmith. O que o filme tem de incontestavelmente ruim é seu roteiro, escrito por dois homens, que é repleto de sexismos característicos da época.
E embora, sim, o novo filme da Supergirl seja fraco (como argumentamos na análise da nossa review), ele tem os mesmos defeitos do que dezenas de outros filmes do gênero protagonizado por heróis homens, como o Thor (O Mundo Sombrio, 2013), o Homem-Aranha (na duologia que nada tem de "Espetacular", de 2012 e 2014) , o já citado Flash e, principalmente, o próprio Superman com os longas já citados acima.
Milly Alcock pode demonstrar mais, não só em outros filmes desse universo, como em uma sequência que pode olhar para trás e tentar novamente corrigindo o que não deu certo. Não é assim que tantos filmes do gênero tem feito?
Não foi a primeira vez que falamos sobre a diferença entre "crítica" e "chororô" aqui no blog, e conhecendo muito bem o mundo em que vivemos, infelizmente, não será a última.

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